Atletas da UnB conquistam 14 medalhas em Manaus

Por Cristiano Hoppe Navarro

O reitor da UnB, Ivan Camargo (na foto à esquerda), recepcionou na manhã da quinta, 16 de junho, os atletas que representaram a UnB na LDU (Liga do Desporto Universitário) de Futebol 7 e na LDU de Lutas 2016. A conversa abordou os resultados, o auxílio viagem e ainda os Jogos Internos da UnB.

                                                                       SECOM

Primeiras competições nacionais universitárias na região Norte, ocorreram entre 6 e 12 de junho em Manaus, e trouxeram muitas histórias, glórias, catorze medalhas e 133 pontos no Troféu Eficiência, o ranking universitário nacional, para a universidade.

A equipe feminina de futebol 7 garantiu a prata e 22 pontos para a UnB no Troféu Eficiência. Já a masculina terminou em quinto lugar e conquistou 16 pontos. Foram cinco equipes entre as mulheres e nove entre os homens. “Tivemos nossas falhas e sentimos muito o clima, mas foi bom. Nos doamos até o fim”, avaliou a treinadora do time feminino Camila Dutra, a “Cacá” (à esquerda na foto).

                                      Vilma Nogueira

Nas lutas, foram treze medalhas. O karate liderou as conquistas, com duas pratas e cinco bronzes. A atleta Ana Paula Ilorca levou três medalhas para casa: prata no Kumite (o combate) individual -55 kg, prata na equipe feminina de Kata (movimentos coreografados) e ainda um bronze na equipe feminina de Kumite. Maíra D’ávila e Amanda Araújo também ganharam três medalhas, enquanto Jorge Sevillas saiu com duas e Marco Antônio Silva com uma.

Os três judocas da UnB – Maria Carolina da Silva, Miguel Mota e Gideone Vlieger – não voltaram de mãos vazias: foram três bronzes. A UnB fez sua parte no taekwondo (na foto): Katielen Caixeta na -67 kg e Crisley Santos na -87 kg subiram no topo do pódio e Lorena Santos ficou com a prata. O terceiro lugar geral feminino no karate e no taekwondo renderam 20 pontos cada no Troféu Eficiência (veja na tabela).

 

FUTEBOL 7 FEMININO: Reviva a campanha da prata

A campanha do selecionado feminino começou com duas vitórias em roteiro idêntico: após começar vencendo por 1 a 0 no início da partida, a UnB concedeu ao adversário a virada para 2 a 1 ao término do primeiro tempo, apenas para marcar duas vezes na segunda metade da etapa final e vencer por 3 a 2.

Após folgar na terça-feira, as meninas da UnB, embaladas pelo funk no ônibus que levou até o local de competição, estrearam sentindo o forte calor manauara contra a UFRR de Paricarana, em Roraima.

A UnB saiu na frente marcando de dentro da área com Janaina Pereira, mas as roraimenses anotaram duas vezes em uma falta bem cobrada por cima da barreira e aproveitando uma falha defensiva em contra-ataque, com Nayra Vieira e Elisomara Rodrigues. Após repetidas finalizações nas mãos da goleira da UFRR, as meninas de Brasília furaram o bloqueio e encontraram dois gols nos minutos finais, um deles com Luiza Faria, em uma virada que se provou depois essencial para o vice-campeonato. Na foto, Weny Araújo.

                                   CBDU

O segundo jogo, assim como todos os demais da UnB no torneio feminino, iniciou às 8h30. O adversário na quinta-feira foi a UFRN, em um jogo definido pelo excesso de infrações, que provocaram o shoot-out. Aplicado a partir da sexta falta em um mesmo período, o lance inicia com a bola e o cobrador na intermediária ofensiva, o goleiro na linha do gol e os demais na intermediária defensiva: o cobrador pode conduzir a bola e definir quando quiser, enquanto o goleiro pode avançar para fechar o ângulo.

No primeiro período, foi a UnB quem esgotou as faltas, e acabou punida com dois shoot-outs, sendo um deles convertido. O outro ficou nos pés da goleira Larissa Mendonça que, em grande atuação, ainda pegou um pênalti e fez outras boas defesas. No segundo tempo, a UnB teve um shoot-out a favor, mas não aproveitou: ainda assim, venceu, com gols de Isabella Dambros, Luiza Faria e Debora Soares (na foto). Para a equipe de Natal, os dois gols foram de Maria Salviano.

                                      CBDU

O jogo de sexta era a final antecipada do futebol 7 feminino, envolvendo as duas equipes invictas até então na competição. Porém, a Unip-SP demonstrou superioridade, aplicando 8 a 0. Tuanny Nery marcou dois gols e Livia Andrade balançou as redes três vezes para as paulistanas.

A última partida, no sábado, após o calor infernal das disputas anteriores, foi em meio à chuva. A UnB entrou apenas para cumprir tabela, uma vez que já garantira o segundo lugar por pontos ou pelo primeiro critério de desempate, o confronto direto. A UniNILTONLINS-AM, universidade localizada próxima à Arena das Laranjeiras, local dos jogos em Manaus, produziu mais e venceu por 4 a 1. Vanessa Silva (foto) marcou para a UnB.

                                      CBDU

Apesar do resultado negativo dos dois últimos jogos, a prata foi celebrada, representando uma evolução em relação ao penúltimo lugar em 2015.

A UnB foi representada pelas atletas Priscila Mata, Taynah Araujo, Isabella Dambros, Ana Avelar, Laryssa Freitas, Barbara Castro, Janaina Pereira, Weny Araujo, Larissa Mendonça, Debora Soares, Luiza Faria e Vanessa Silva, comandadas pela treinadora Camila Dutra (Cacá).

 “Foi melhor do que a gente esperava, até porque não treinamos society. Segundo lugar foi de bom tamanho, pegamos uma equipe forte como a Unip. Tivemos muitas atletas contundidas antes dos jogos. E as condições climáticas não eram nada favoráveis, com o sol escaldante”, avaliou Janaina Pereira.

Já a artilheira da equipe, Luiza Faria, disse: “Foi ótimo representar a universidade: conciliar a vontade de jogar com o estudo e ainda ser apoiada pela universidade”.

 

FUTEBOL 7 MASCULINO: Faltou um gol

A UnB chegou no certame masculino com o peso do favoritismo, já que havia perdido a final nos pênaltis no ano anterior. A equipe veio escalada com: Gabriel Cardoso, Kaihan Targino, Giuseppe Damasceno, Guilherme Ribeiro, Danilo Assunção, Romulo Santos, Vinicius Simões, Raphael Lima, Arthur Souza, Leandro Ribeiro e Matheus Oliveira, além do treinador Lucas Schmitz (Finlândia), ainda de muletas três semanas após cirurgia de joelho no ligamento cruzado anterior.

Na terça, o primeiro jogo do Grupo B acabou em UFRN-RN 6 x 2 UFAM-AM. Assim, a UnB precisava vencer a equipe local na quarta por diferença de pelo menos quatro gols para jogar pelo empate na última rodada do grupo no dia seguinte.

E o resultado veio, a despeito de dificuldades como a chegada de nove dos onze atletas na madrugada do mesmo dia do jogo e o clima equatorial da capital amazonense. Com uma equipe formada por quatro atletas do futebol de campo e sete do futsal, a UnB começou perdendo em um chute após bola rolada em cobrança de falta. Porém, aos poucos foi imprimindo maior ritmo de jogo e construindo o placar que precisava. Raphael Lima (na foto), jogando mais avançado e buscando muitas vezes a bola pelos lados no campo de ataque, marcou três gols. Vinicius Simões (2), Arthur Souza (2), Kaihan Targino e Matheus Oliveira completaram para a UnB. Mateus Pereira marcou os três gols da Federal do Amazonas.

                                      CBDU

Na quinta, a UnB confrontou a UFRN em ambos os naipes. No masculino, o empate era suficiente, mas a equipe entrou em campo com a mentalidade de superar a forte marcação da equipe de Natal, facilitada pelo tamanho reduzido do campo, e obter a vitória. A UFRN tirou o zero do placar com um gol de cabeça após cobrança de escanteio, lance que motivou reclamação por uma suposta falta de ataque. Vinicius Simões marcou para a UnB em chute de fora da área. Com gols de José Neto e Rodrigo Bezerra (2) a UFRN abriu 3 a 1, Raphael Lima descontou e o placar ficou em 3 a 2.

A UnB precisava do empate e pressionou até o último minuto, mas bateu na trave – literalmente. Uma finalização alcançou o travessão do goleiro Arthur Silva.

Muitas reclamações, de ambas as equipes, foram endereçadas aos árbitros Jackson Alves e Antonio Carlos, que admitiram ao final do jogo: “Erramos”. Atletas da UnB reclamaram, especialmente, de uma falta que o árbitro não assinalou, ao aplicar a lei da vantagem, e que, tivesse sido apitada, seria a penúltima que faltava para o shoot-out.

                                  Vilma Nogueira

No final, a UnB não classificou por um triz – duas vezes. Além de não marcar o gol de empate que daria a vaga contra a UFRN, que sagrou-se campeã no sábado, a UnB ainda perdeu a vaga de melhor segundo colocado por um gol na comparação do saldo. Tivesse a UNIP-SP feito o sétimo na vitória de 6 a 0 contra a UniNILTONLINS-AM no último jogo da fase classificatória pelo grupo C, e a vaga na semifinal teria sido de Brasília.

Leandro Ribeiro, que participou pela primeira vez do Brasileiro de Futebol 7 Universitário, comentou: “Por dois jogos terem possibilitado um saldo muito grande no outro grupo, o segundo colocado acabou saindo daquele grupo. Foi ótimo viajar e representar a equipe no Brasileiro, mas por conta de detalhes assim não classificamos”.

De fato, como o primeiro critério de desempate para a definição do melhor segundo colocado foi o saldo de gols, as derrotas por placares elásticos das duas equipes de Roraima, que amargaram as duas últimas posições, fizeram a balança pender para seus adversários. A UFRR de Cauamé perdeu por 17 a 0 da UNIP e por 15 a 3 da UniNILTONLINS, ambas classificadas para as semifinais.

“Faltou treino, pois não treinamos society. A demora para sair o auxílio (viagem, concedido pela DEA aos atletas) também atrapalhou. Fomos com um atleta a menos em função disso”, considerou Gabriel Cardoso. Já o atleta Kaihan Lima (na foto) resumiu o que acabou faltando para ir mais longe: “Faltou um gol”.

                                         CBDU

 

JUDÔ: Ninguém ficou sem medalha

Três atletas, três bronzes: esse foi o saldo final dos judocas da UnB no campeonato nacional universitário da arte marcial traduzida como “caminho da suavidade” em japonês, que se realizou, assim como as demais lutas, na Arena Amadeu Teixeira (foto), localizada ao lado da Arena Amazônia em Manaus.

                         Vilma Nogueira       

No judô masculino, Miguel Mota (na foto) competiu com Lucas Sales da UFRJ e Rafael Barbosa da Unip na categoria menos de 66 kg e terminou na terceira posição. “Foi por muito pouco que não ganhei a prata, por conta do calor no ginásio. Na segunda luta, já estava exausto. A primeira luta foi com o Rafael, atual campeão do peso. Na segunda luta, eu era mais forte fisicamente e tinha mais técnica que o carioca, levei-o para o chão, encaixei um triângulo de perna nele, faltou segurar um pouquinho mais para finalizá-lo. Não perdi nenhuma por ippon, para ambos foi por imobilização”, contou o faixa-verde.

                                                                                            CBDU

Já na categoria imediatamente mais pesada, de menos de 73 kg, Gideone Vlieger (à direita na foto) venceu primeiro o obstáculo do peso. Ele, que chegou ao hotel no dia anterior à competição de tarde, estava pesando 2,5 kg a mais que o permitido: após ir para a sauna com casaco e dois quimonos por cima e correr na esteira da academia sem ar-condicionado, baixou o peso até o necessário na pesagem na noite de quinta.

                                                 CBDU

Na sexta de manhã, pelas quartas-de-final, o faixa-marrom derrotou Julio Cesar Paladino, da UFRJ (confira no vídeo). Na semifinal, foi derrotado por Rayann Maia, da UFPA, e acabou saindo com a medalha de bronze.

Já Maria Carolina da Silva, faixa-marrom, da categoria inferior a 70 kg, conseguiu o terceiro posto entre cinco competidoras. Na luta contra Erika Ferreira da FATE-CE, que levou o ouro, um erro foi fatal e a adversária acertou a entrada e projeção do golpe, impedindo uma melhor colocação da estudante da UnB.

Uma atleta é ela e suas circunstâncias. Maria Carolina chegou a Manaus na madrugada do dia das competições. “Foi um obstáculo, uma vez que eu perdi muito tempo de descanso e sono. Ainda passei o dia anterior resolvendo problemas pessoais, o que abala a concentração”, contou. “Faltou concentração, descanso apropriado e a presença do meu técnico, que sempre acompanha minhas competições”, resumiu.

Ela, que é do Clube de Judô, avaliou a performance da instituição: “Foi uma boa participação, entretanto poderia ter sido melhor. Poderia ter participado maior quantidade de atletas. Uma universidade com o porte da UnB tem condições de enviar maior número de atletas para as competições”.

 

TAEKWONDO: A UnB fez sua parte

Literalmente o “caminho do pé e da mão” em coreano, o taekwondo foi a modalidade que trouxe os resultados mais elevados para a UnB. Foram dois ouros e uma prata.

Os atletas da UnB tiveram sua trajetória facilitada por um campeonato esvaziado, em que também houve atrasos devido a um sensor de arbitragem que descarregou. Katielen Mendes Caixeta (à direita na foto) e Crisley Sales dos Santos (no centro) foram a Manaus para não vestir o Dobok. Ela na categoria menos de 67 kg e ele na menos de 87 kg, foram os únicos a comparecer e levaram o ouro por W.O.

                                            Katielen Caixeta

Katielen, do Clube de Taekwondo da UnB, esboçou algumas razões para o baixo número de atletas do evento e também para a ausência de mais atletas da UnB: “Local, passagem cara, hospedagem que não era barata e tivemos que pagar, pois o benefício só dava um dia”.

Já Lorena Santos (à esquerda na foto) chegou a pisar no tatame e, ao perder para Taís Oliveira da UniNorte do Acre, acabou ficando com a medalha de prata. O objetivo da estudante-atleta agora é “se formar”, uma vez que está terminando o curso de Enfermagem. Porém, ela já ensaia uma volta às competições universitárias caso se consolide o retorno aos estudos, cursando desta vez Educação Física. 

“Em outros anos chegamos a ser campeão geral. Não foi melhor nem pior (do que nos anos passados)”, pontuou Katielen sobre o resultado geral da UnB, que terminou na terceira colocação geral no feminino e quinto no masculino.

 

KARATE: Enxurrada de medalhas

A modalidade japonesa que significa “mãos vazias” foi a que teve maior número de participantes dentre as artes marciais contempladas na LDU de Lutas, com disputas de Kata (movimentos coreografados como uma luta simulada) e Kumite (o combate propriamente dito). A UnB ficou em terceiro na classificação final do feminino, entre 16 universidades.

Foram duas pratas e cinco bronzes. Ana Paula das Neves Ilorca, no Kumite menos de 55 kg, e a equipe feminina de Kata levaram a prata. Amanda Monteiro Araújo no Kumite menos de 61 kg, Maíra Lopes D’ávila no Kumite mais de 68 kg e Jorge André Sevillas no Kumite menos de 75 kg conquistaram o bronze. As equipes feminina e masculina de Kumite também faturaram o bronze. Marco Antônio Silva (na foto à esquerda) terminou em quinto no Kata e no Kumite menos de 67 kg.

                                               CBDU

Membro do clube de Karate da UnB, Maíra D'ávila (na foto à direita) comentou sobre seu desempenho: “No Kata cheguei a competir na repescagem, porém não ganhei, realmente não contava tanto, pois é uma categoria muito difícil e que pouco treino. Meu treino é voltado para o Kumite e neste consegui o terceiro lugar. Nas equipes Kata e Kumite eu contei com minhas companheiras e melhores atletas que treinam na mesma academia, onde mantemos sempre sintonia, e nestas categorias fomos muito bem conseguindo bons resultados”.

                                             CBDU

Uma vez que havia a chance de possibilitar vaga para o Mundial em Braga, Portugal, a LDU contou com os melhores atletas do país. “A competição estava bem organizada, pontual, contou com bons árbitros e estrutura física muito boa. Posso dizer que foi a melhor de todas as edições que participei”, elogiou Maíra, que ainda ressaltou como positiva a estadia conjunta de todos os atletas no mesmo hotel.

O atleta Jorge Sevillas (à direita na foto) concordou: “Esta LDU realmente foi diferente. O tratamento dado pela CBDU foi à altura de atletas importantes para um país que valoriza o esporte. Havia transporte para o local da competição e hospedagem garantida em hotel cinco estrelas. Por isso senti meu rendimento melhor do que o normal”.

                               CBDU

Ele ainda manifestou uma esperança que é comum a todos os envolvidos na LDU, seja qual for a modalidade: “Espero que o esporte universitário continue crescendo nesse padrão no Brasil, tornando-se não só um espaço para talentos iniciantes, mas um polo produtor de atletas de alto nível aliados à busca universitária pelo conhecimento e ética”.